Eu namoro a seis anos, moro junto a 7 meses, e descobri que caso um dia isso acabe, possivelmente serei aquela velhota simpática e sozinha, com gato, cachorro, papagaio e todos os bichos imagináveis nessa descrição desse tipo totalmente clichê mais super possível, e eu diria atual.
Em conversas, cervejas, cigarros e pensamentos, percebi que a mim (e a muitas outras mulheres da minha geração e nível - sem preconceito algum, apenas uma forma de determinar um nicho)essa realidade, pode ser o nosso derradeiro final. Nós, deixando o romantismo de lado, somos céticas com relação a relacionamentos, e quem sabe ao amor, por que não? Por mais que a maioria "dasamigue" estejam bem casadas, namoradas, ou com seus namoridos (como nos referimos aos boys das queridas que moram junto), é unanime o pensamento que caso, esta relação presente acabe, ficaríamos solteiras por opção e preguiça.
Sim preguiça, pensar em começar de novo, conhecer alguém se interessar, a primeira saída o primeiro beijo, a primeira transa, a paixonite que sabe se lá virará amor, conhecer os pais e todos esses "marcos" de intimidade e descobertas únicos em cada relação - dá uma puta preguiça. Minha geração foi criada para sair e trabalhar, cuidar de tudo sozinha e com isso, aquela dependência acabou. O que nos une é só o amor, o companheirismo mais fica cada vez mais difícil, pois nos mudamos eles não. Nossos meninos, continuaram a serem criados, para serem os machos da casa, pedir cerveja do sofá, e se assustam quando vem que nós temos tanta liberdade, principalmente de pensamento e sexual quanto eles. Ouvi uma vez de uma grande amigo que os boys tinham um pouco de medo de mim, eu era esperta de mais, inteligente de mais, discutia no mesmo nível que eles em qualquer mesa de bar, é legal ter amigas assim, mulheres não. Achei que era a idade eu beirava os vinte anos, mas já faz dez anos, e as coisas ainda me parecem assim. Amigas lindas, por dentro e por fora, me relatam aventuras e affairs com caras que fogem com o rabinho entre as pernas, quando percebem que ela pode dividir a conta, ou "pior" pagar sozinha, que ela mora sozinha e que pode com a mesma desenvoltura discutir a merda do campeonato brasileiro e as ameaças de eminentes de guerra entre as Coreias.
E isso desanima, desestimula. Hoje não temos mais a facul que era onde conhecíamos e achávamos possíveis parceiros e também escolhíamos nossas maiores magoas, temos que procurar na rua, na vida, e não temos, tempo nem cabeça para tal. Eu, como exemplo, nunca fui linda, sempre fui interessante - chata também - as caras se interessavam depois de conversas e claro, relatos de um pessoa que quase sempre reclama de tudo e da risada com a mesma facilidade que chora ao ver os ridículos momentos da nossa existência sempre me relacionei com caras que eu conheci antes de ter qualquer interesse. E hoje, nunca ou quase nunca conheço ninguém sempre falei (neh Quel?!) que ja tenho amigos suficiente e mal consigo trata-los com o carinho e a dedicação que merecem, para que eu vou me dispor a querer conhecer mais gente !?!
Finalizando, quando chego em casa de sexta a noite, se um dia ela estiver vazia de amor, e encontrar meu cachorro e meu gato fazendo uma festa para mim, e tendo que escolher entre ir para algum lugar na esperança de conhecer o futuro amor da minha vida, e ficar em casa, lendo meu livro com eles, nem preciso dizes qual vai ser a escolha, afinal, quanto mais conheço os homens, mais gosto dos meus bichos.
Ps.: meu relacionamento vai muito bem - obrigada! Isso ñ é um desabafo sobre o meu Boy e sim pelo que vejo...